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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

MTur contabiliza entrega de mais de 730 obras no Brasil em 2021

Em meio à retomada de viagens no país, o Ministério do Turismo registra grandes contribuições para a boa recepção de visitantes no Brasil. A partir de um investimento de R$ 805,9 milhões, a Secretaria Nacional de Infraestrutura Turística (SNINFRA) contabiliza, até meados de dezembro, a entrega de 734 obras apoiadas financeiramente pelo órgão do governo federal espalhadas por todas as regiões do país, como melhorias de orlas, espaços de eventos, parques e praças públicas.

No Nordeste, destino de repasses federais que somam aproximadamente R$ 234,8 milhões, houve a finalização de 273 trabalhos. Um deles foi o Centro de Convenções de Sergipe, na capital do estado, Aracaju, onde recursos do MTur da ordem de R$ 20 milhões garantiram aprimoramentos. O espaço teve a capacidade de público ampliada para cerca de 6.500 pessoas, entre auditórios e um pavilhão de exposições.

Já no Sudeste, que contou com aportes de R$ 291 milhões, 153 obras foram concluídas. A lista de intervenções envolve a revitalização da Estação Ferroviária de Salto, em São Paulo, e a reconstituição dos trilhos que ligam a cidade ao município vizinho de Itu, onde o órgão investiu perto de R$ 1,9 milhão. O projeto abriu caminho à operação do Trem Republicano, atração turística que une passado e presente em um passeio nostálgico.

Na região Norte, investimentos de R$ 140,3 milhões do MTur asseguraram a entrega de 61 obras. Destaque para primeira etapa da Orla do Maracanã, em Santarém (PA), que recebeu cerca de R$ 3,9 milhões. O local passou a dispor de uma passarela de concreto de 5,2 metros de altura e 443 metros de extensão, além de um píer de 60 metros. O projeto buscou proporcionar que restaurantes também funcionassem à noite, criando uma opção de lazer.

No Sul, R$ 85,2 milhões garantiram a finalização de 195 trabalhos. Destaque para a restauração da Estação Ferroviária de Paranaguá (PR), um dos principais cartões-postais da cidade, onde a Pasta aplicou R$ 1,7 milhão. Já na região Centro-Oeste, destino de R$ 54 milhões dos investimentos do MTur, 52 trabalhos foram concluídos. Entre eles, a aquisição de equipamentos ao Centro de Convenções e Eventos Públicos de Aruanã (GO), que recebeu R$ 1,7 milhão.

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, destaca esforços do governo federal pela adequada estruturação dos destinos nacionais. “Ao longo do ano, estive em vários destinos de todas as regiões do país para inaugurar verdadeiros ‘monumentos ao descaso’, abandonados por gestões anteriores. O governo do presidente Jair Bolsonaro não quer ter a paternidade das obras, e sim garantir a boa gestão do dinheiro do pagador de impostos. Seguimos firmes para garantir aos atrativos nacionais as melhores condições possíveis de receber visitantes no pós-pandemia”, enfatiza.

APORTES - As obras apoiadas pelo MTur são realizadas, preferencialmente, nos municípios que integram o Mapa do Turismo Brasileiro, ferramenta do Programa de Regionalização do Turismo (PRT) que orienta a aplicação de recursos públicos em destinos que adotam o turismo como estratégia de investimento e de retorno econômico. As verbas são provenientes do orçamento próprio do órgão e, também, de emendas parlamentares apresentadas à Pasta.

O secretário nacional substituto de Infraestrutura Turística, Luís Vannucci, enaltece a colaboração de deputados e senadores e ressalta o empenho pela conclusão de projetos. “Neste ano, executamos 100% das emendas parlamentares impositivas e de bancada e estamos quitando todos os débitos de obras em andamento. A orientação do ministro Gilson Machado é não deixar nada para trás. Estamos resgatando obras antigas e inacabadas, sem esquecer de olhar para frente, com novos projetos. Nosso objetivo é, com a ajuda sempre bem-vinda do Congresso Nacional, preparar os destinos nacionais para a retomada do turismo”, explica.

Em 2021, também foram iniciadas outras 355 obras de infraestrutura turística com recursos do Ministério do Turismo em todo o país, fruto de um investimento de R$ 186 milhões. O MTur administra, atualmente, uma carteira de cerca de 3.100 trabalhos do tipo no Brasil. Os projetos envolvem repasses de R$ 3,4 bilhões, dos quais cerca de R$ 1 bilhão já foi executado. Ao longo de 2020, o órgão destinou um valor recorde histórico de R$ 1 bilhão para obras na área, o que garantiu a finalização de cerca de 980 trabalhos no território nacional.

SNINFRA - A Secretaria Nacional de Infraestrutura Turística integra o quadro funcional do MTur desde 21 de maio de 2020, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União. Antiga Secretaria Nacional de Estruturação do Turismo (SNETur), a SNINFRA é responsável por coordenar, monitorar, supervisionar, apoiar e avaliar planos, programas e ações do MTur voltados à implementação de infraestrutura turística no país, atendidas as normas de acessibilidade a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.


Fonte: Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

 


 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Ministro inaugura escada com 60 metros no Baixão da Pedra Furada


 

O Baixão da Pedra Furada, localizado no Parque Nacional da Serra da Capivara, ganhou mais um atrativo turístico. O local ganhou uma escada com 60 metros e 114 degraus, que dá acesso à vista panorâmica do Alto da Chapada do Circuito Caldeirão dos Rodrigues. A inauguração aconteceu nesta terça-feira (19) com a presença do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

A escada garantirá mais acessibilidade, comodidade e segurança aos visitantes interessados em contemplar o circuito do alto. Além da escadaria, o Parque recebeu melhorias na área de uso público, com novos banheiros, revitalização de guaritas e do poço que abastece a unidade. São 900 metros, com vazão de mais de 18 mil litros e com a capacidade de abastecer todo o parque proporcionando uma melhor experiência e conforto aos visitantes. As melhorias são frutos de emenda do ex-deputado federal Paes Landim.

“Estamos aqui direto do Piauí, inaugurando uma trilha na Serra da Capivara. Esse movimento traz uma preocupação com a caatinga, do Ministério do Meio Ambiente, trazendo mais visitantes para este parque, parque que é um símbolo da região”, disse.

A visita contou com a presença do presidente substituto do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Marcos de Castro Simanovic, e parlamentares da região, como Margarete Coelho (Progressistas). 

Parque Nacional da Serra da Capivara

Com paisagens de uma beleza natural e pontos de observação privilegiados, o Parque Nacional da Serra da Capivara tem importante papel na preservação da Caatinga e no desenvolvimento do turismo cultural e ecológico, além de ser uma alternativa de desenvolvimento sustentável para a região. 

O Parque registra a maior concentração de sítios arqueológicos atualmente conhecida nas Américas, nos quais se destacam os contextos de pinturas e gravuras rupestres, que permitem identificar informações sobre os modos de vida dos primeiros povos que habitaram a região, desde o Pleistoceno Tardio.

 

Fonte: CidadeVerde

Segmentos turísticos apresentam melhores resultados em setembro

                                      Rio Sucuri, em Bonito (MS). Crédito: Flávio André/MTur 

 

O que o aeroporto de Brasília (DF), a cidade de Bonito (MS) e a Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR), têm em comum? Eles apresentaram, em setembro, o melhor mês do ano. O primeiro bateu recorde de movimentação de passageiros desde o início da pandemia. Já a segunda registrou o seu melhor resultado em sete anos. E o último teve a maior atividade turística de 2021, reafirmando a retomada do turismo no atrativo.

De acordo com o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, os números são animadores e reforçam a importância das ações do Ministério do Turismo, que auxiliaram o setor nesta retomada. “Estamos contentes com estes dados, que só confirmam o caminho certo que seguimos durante a pandemia em prol do nosso setor. Estou confiante que mês após mês conquistaremos números cada vez maiores e que impactarão positivamente em nossa economia”, disse.

Dados da Inframerica, operadora do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília (DF), apontam a marca histórica de 1 milhão de passageiros e dez mil pousos e decolagens em setembro, se tornando o maior fluxo do ano. No feriado do Dia da Independência, em 7 de setembro, 183,5 mil pessoas passaram pelo local durante os seis dias, alta de 36% em comparação ao de Corpus Christi.

Em Bonito (RS), o Observatório do Turismo apontou mais de 84 mil visitantes em atrativos naturais da cidade no último mês. No mesmo período de 2020 esse número foi de 52.062 e em setembro de 2019 o número de acessos foi de 46.460. Os bons números também foram sentidos pela Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, a usina contou com 35.460 visitantes, considerando as duas margens da hidrelétrica, localizadas no Brasil e no Paraguai. De janeiro a setembro, o local já recebeu mais de 196,8 mil pessoas.

PROTOCOLOS – Para preparar o setor de turismo para a retomada das atividades, de forma segura e responsável, ainda no ano passado, o Ministério do Turismo lançou o Selo Turismo Responsável, Limpo e Seguro. Trata-se de uma sinalização visual que identifica estabelecimentos e guias de turismo que assumiram, declaradamente, o compromisso em adotar protocolos de biossegurança elaborados pela Pasta e, desta forma, proteger turistas e trabalhadores contra a Covid-19.

Atualmente, quase 30 mil selos já foram emitidos para 15 atividades turísticas, como meios de hospedagem, parques temáticos, restaurantes, cafeterias, bares, centros de convenções, feiras, exposições, guias de turismo, dentre outros. Cada segmento possui um protocolo sanitário específico.

Por Victor Maciel

Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

TURISMO: CACHOEIRA DA TABOCA ENCANTA AVENTUREIROS


 

Pedro Paulo Tavares de Oliveira (*)

 

Muito já se disse a respeito dos atrativos da Cachoeira da Taboca, essa admirável sequência de quedas d’água do Rio Parnaíba, localizada a cerca de 80km do município de Gilbués, extremo sul do Piauí. Mas quem vai lá — e quem ainda não foi deve ir — volta convicto de que a beleza propalada é bem superior à contada pelos visitantes anteriores.

 

Uma plaquinha de madeira na altura do km 32 indica a entrada à esquerda da BR-235, que liga Gilbués a Santa Filomena, na divisa com o Maranhão, primeiro município piauiense rio abaixo, ao longo da extensa fronteira demarcada pelo curso d’água entre os dois estados. Na margem oposta está a cidade de Alto Parnaíba. Saindo do asfalto, o percurso de 55km até a Taboca é lento por conta dos bancos de areia, logo vencidos em cerca de duas horas pela Dengosa, brava camionete guiada por meu irmão Oliveira, acompanhado pelos copilotos Carlim de Jacó e seu filho Enzo, Antonio de Pádua (“Porrim”), Alan Glaucio e eu.

 

No célere desaguar a caminho do mar, o Rio Parnaíba percorre cerca de 1.400 km desde sua nascente nas franjas da Serra das Mangabeiras, município de Barreiras do Piauí. Quando o rio alcança a foz, em Luís Correia, forma o maior delta em mar aberto das Américas. Noutra aventura há pelo menos dez anos, estive no Parque Nacional das Nascentes, criado em 2002, com parte desses obstinados companheiros. Fomos até o marco fincado pelo Exército na época da demarcação. Ali o Parnaíba começa a tomar sua forma, a partir dos rios Água Quente, Curriola e Lontra. Felizmente, na aventura de agora não sofremos como daquela vez, quando permanecemos três dias com o carro emperrado em plena nascente do rio. Mas aquela é outra história.  

 

Na vegetação quase rasteira predominam o coco catolé e os cajueiros, bastante floridos agora neste mês de agosto. Entre um brejo e outro, sucedem-se as localidades de Vereda Comprida, Cachoeira e Conceição dos Oliveiras. Nesta última é recomendável uma parada para conversar com os moradores e saber das condições da estrada, cerca de 30 km dali adiante. Além de profundos conhecedores da região, eles são exímios pescadores.

 

O mais indicado é Rubens Reis Brito. Conversamos na varanda de sua casa, ao lado do amplo pátio da igreja devotada a Nossa Senhora Santana, com festejo celebrado entre 17 e 26 de julho.  Ele não pôde seguir conosco porque precisava concluir a colheita de mandioca plantada ali mesmo nas cercanias da casa. Mas seu filho Natanael juntou-se à nossa caravana e se portou muito bem. Sem medo da forte correnteza, ele jogou em várias direções a tarrafa recentemente furada por um valente surubim. Mas naquele dia o rio não estava pra peixe. 


 

Poluição — Da rede de nosso pescador saíram apenas alguns piaus — assados na brasa lá mesmo — e umas piabas chamadas de “regaludas” por Natanael. Ex-Flamengo, hoje santista, ele confessa que saiu da nação rubro-negra por não suportar mais as críticas dos torcedores quando o time perde. “Então, o time só presta quando ganha? No Santos não tem isso”, admite satisfeito com sua nova paixão futebolística.

 

Em frente à casa de Rubens, latinhas vazias de cerveja e até um frasco da novíssima Beck’s poluem o terreno ao pé de um orelhão desativado, cercado de bodes raçados que ali babujavam um ralo capim. “Aí vai ser um ponto de internet. Rogerim vem instalar no próximo mês”, avisa Natanael, revelando a expectativa para usar seu celular, que funciona precariamente depois de ter caído nas águas da Taboca. O descaso com aquele paraíso é visível em mais latinhas na margem do rio e até uma cadeira de ferro abandonada em meio à vegetação.

 

Rogério Barros Batista faz o maior sucesso com a instalação de placas solares na região, por conta própria. O sinal da internet é mais esperado que a construção de um posto de saúde no local, promessa antiga dos políticos. Além de sua casa, no vizinho Barro Alto, Rogério já instalou placas em praticamente toda região conhecida como Beira do Rio, formada pelas localidades de Boqueirão dos Felipes, Lagoa Arcada, São José, Brejo do Miguel, Brejo da Porta, Capivara, Cedro, Caraíbas, Lagoa dos Martins, Brejo da Onça, Grota Feia, entre outras.  


 

Rio Uruçuí — Vendo a pequena aglomeração — mas usávamos máscaras — aproximou-se nosso parente Nicão, vizinho de Rubens. Veio atraído pelo cheiro — ou melhor, perfume — da nossa única garrafa de Vale Verde. Curioso, depois de uma chambrecada de dois dedos — entre o mindinho e o indicador — do nosso “uísque de Minas”, ele perguntou:

 

— Mas que cachaça boa é essa, Oliveira?

 

Meu mano, que já havia queimado a presa, disse-lhe brincando que a cachaça era do norte chuvoso de Minas Gerais, a única região do Brasil produtora da raça de gado “Panetone”, segundo a definição de nosso outro irmão, o Ribinha Chumbo-Quente.

 

Após esses dois dedos de prosa, seguimos viagem. O Rio Uruçuí Vermelho havia ficado antes da Conceição, ainda com um considerável volume de água para esta época de seca. Mais um brejo de águas cristalinas e começamos a ouvir o belo cantar das corredeiras. “Onde tem buriti, tem água”, disse Carlim de Jacó. De fato, lá estavam os gigantes buritizais dos dois lados da estrada, muitos deles prestes a cair devido à ação de um recente e criminoso incêndio, embora seja um costume antigo na região.

 

Como se não bastasse, as proximidades da cachoeira estão cercadas para criação de gado. O barro, preto por natureza, fica mais preto ainda devido ao estrago provocado pelas queimadas. É o caso de registrar esta expressão anônima: “Quando o homem toma banho em um rio, nem o homem é o mesmo homem, nem o rio é o mesmo rio”. O homem, certamente, por se julgar mais limpo de suas impurezas corporais e espirituais. E o rio, sem dúvida, mais sujo por essas mesmas impurezas humanas.


 

Esperteza de Enzo — Essa nota de tristeza logo é superada pelo espetáculo das águas de tonalidade azul e verde da Cachoeira da Taboca. Lembram o mar de Fortaleza ou de Maceió. Inebriante. A paleta de cores tem ainda um tom de amarelo, no centro do rio, quase uma ilha, reflexo da areia daquele trecho raso, cercado de fortes correntezas. A calmaria daquele ponto permite ao banhista fixar cadeiras e mesas na areia.

 

Ali, até o pequeno Enzo, de 9 anos, tibungou com segurança. Esperto, da Conceição até a cachoeira, de olho no odômetro do carro, ele anunciava os quilômetros restantes. “Já andamos 28 quilômetros. 26, 25, 24, 23...”. Recordando uma brincadeira do meu tempo de menino em Gilbués, depois de uma cachuleta e petelecos nele,  bati em meu peito, depois no dele e disse assim: “Peito de homem, titela de galinha, eu bato na sua e tu não bate na minha”. Pronto, o cara gravou instantaneamente.  

 

Com saudade da “minha infância querida que os anos não trazem mais”, como tão bem cantou nosso Casimiro de Abreu  no poema Oito anos,  saquei essa outra para lembrar da velha fórmula infantil de contar de um até dez: “Uma, duna, catuna, catuné, reverem, temtem, gurupi, gurupá, conta bem, são dez”. Ele titubeou um pouco para repetir, mas no dia seguinte à noite em Monte Alegre, fazendo piruetas com sua bicicleta em torno da Praça do Psiu, Enzo repetiu a fórmula assim que me viu e ainda zombou de mim, dizendo que “Monte Alegre é de açúcar, mas Gilbués é de sal” . Tentei vingar-me e perguntei a ele:

 

— Enzo, quanto você pagou?

— Pra quê? — respondeu ele, inocentemente.

— Pra nascer feio assim — ferrei.

— E por acaso eu tô lhe oferecendo boniteza? —  retrucou ele, na lata. Dei-me por vencido.

 

 

Água e mais água — Sem sugerir outra nota de tristeza, o volume d’água da Taboca é suficiente para uma usina hidrelétrica. Como, aliás, já existe quilômetros abaixo: a Barragem de Boa Esperança, no trecho do Parnaíba em Guadalupe, município também do Piauí. O potente volume d’água da Taboca fortalece-se com o fluxo de mais líquido vindo de um brejão que desemboca naquele ponto do rio para formar duas cachoeiras paralelas, logo abaixo, na margem do Maranhão.

 

Trata-se do Brejo da Taboca, tributário do Parnaíba, cujo nome vem do povoado homônimo situado a cerca de 30 quilômetros Maranhão adentro. Com todo respeito ao charme da Cachoeira de Santa Luzia, mais próxima de Gilbués, somente essas duas cachoeiras superam em muito seu espelho d’água. Sem falsa modéstia, elas são nossas réplicas das Cachoeiras Gêmeas do rio Itapecuru, em Carolina, cidade do Maranhão.

 

O doce correr das águas da Taboca acompanha o viajante na volta e por muito tempo. Tem razão José Reis de Castro (“Seu Zequinha”, 72 anos), um dos mais antigos moradores da Conceição dos Oliveiras. Como fomos num bate-e-volta, encontramos com ele à tardinha, no quintal da casa de Rubens. “O barulho da Taboca chegava até aqui. E ela era muito mais alta do que é hoje. Com o tempo, aquelas pedras da margem se desgarraram da cachoeira”, revela Seu Zequinha. Dona Elana Mendes Brito, esposa de Rubens, confirma o relato de seu Zequinha: “A história é essa mesma. Pode perguntar a qualquer morador daqui”.

 

“Pai, me ensina a olhar” — Ali nos despedimos deles, mas ainda houve tempo para degustar um frito gentilmente oferecido por Elana e que retribuímos com parte da carne levada por nós, da qual não comemos nem a metade. O agradável aroma de um cesto de açafrão, que Elana levaria ao ralo, aguçou o apetite pela farofa e pelo restinho da Vale Verde que levamos para “derrubar os carrapatos”, conforme nosso saudoso Dalton Barreira. Nesse caso, carrapatos nem tanto, mas o mosquito “polvinha” — derivado de pólvora, pretinho, quase invisível — e seu parente próximo, o muruim, e ainda as mutucas, são resistentes a qualquer tipo de repelente.

 

A melhor proteção é permanecer o máximo de tempo submerso. Sem esquecer, é claro, o protetor solar porque lá o “o sol é de derreter catedrais”, na citação do escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura. Nesse campo das letras, ainda pedindo ajuda para lembrar do estonteante fervilhar das águas da Cachoeira da Taboca — somente um dia, que pena — veio-me à mente o seguinte texto do Livro dos Abraços, de autoria de outro expoente da intelectualidade latino-americana, o uruguaio Eduardo Galeano:

 

“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

 

 — Pai, me ensina a olhar!

 

(*) Jornalista, autor dos livros Cavouqueiro (2009), Chegou hoje, quando volta? (2014) e (Quase) memória da linguagem piauiesa (2015). Coautor do Dicionário Eletrônico da Imprensa Nacional (2017). No momento, o autor trabalha na conclusão do Dicionário sentimental de Boqueirão do Garimpo.